Em maio, todos os caminhos vão dar a Fátima


Maio é mês de peregrinação para milhares de portugueses, numa tradição que dura já há mais de uma centena de anos. Duas colaboradoras da Ordem de São Francisco, com anos de experiências e histórias de caminhadas a Fátima, contam-nos porque é que o caminho e o sacrifício valem a pena


Imagem: Santuário de Fátima

 

Maria de Fátima Machado tem 53 anos, e a peregrinação a Fátima faz parte da sua vida há 35. Como muitas histórias ligadas à peregrinação, no caso de Fátima Machado tudo começou com uma promessa. Quando tinha dezoito anos, o seu pai teve um problema ocular, perdendo a visão. “Lembro-me de prometer que, se o meu pai visse, iria a Fátima a pé duas vezes. Passado quinze dias, o meu pai começou a ver. Fui dois anos por essa razão”, conta.

A promessa foi cumprida, mas ainda assim Maria de Fátima não deixou a peregrinação anual. “Prometi a mim mesma que, enquanto puder, irei a Fátima como agradecimento pela vida que tenho tido. Vou agradecer a Nossa Senhora pelo que ela me tem ajudado. Enquanto puder, vou. Enquanto puder, faço esse sacrifício”, afirma.

Maria de Fátima pertence a um grupo organizado, ao qual se juntam novos membros todos os anos. O grupo é organizado pela sua cunhada e aberto a quem se quiser juntar, sendo sempre acompanhado de uma carrinha de apoio que transporta os bens essenciais e dá apoio em caso de necessidade.

Rosa Maria Jesus também já não é nova nestas andanças: vai a Fátima há 32 anos, geralmente acompanhada pela sua família. Conta pelos dedos de uma mão as vezes em que não pôde fazer a caminhada anual, sempre por motivo de doença.

Também é uma promessa que a faz percorrer durante quatro dias os mais de 200 quilómetros que separam o Porto de Fátima. Foi após um acidente de mota colocar o seu irmão em perigo de vida que Rosa Maria fez a promessa de ir a Fátima a pé se este recuperasse. A sua família, que na altura estava espalhada pelo Mundo – tinha dois irmãos na Venezuela e vários familiares a viver em França – acompanhou-a na promessa, e em agosto desse ano todos cumpriram o prometido.

“Toda a vida tenho pedido graças e tenho sido sempre ouvida”, garante.

 

Quatro dias de caminho

Reconhecendo o sacrifício que é este caminho, Maria de Fátima explica que a parte psicológica é determinante em todas as etapas. “Se a pessoa for mentalizada de que vai conseguir, consegue. A verdade é que custa, mas já vou preparada psicologicamente para isso”, conta.

Todos os anos faz a caminhada em quatro dias, variando o número de quilómetros percorridos em cada dia. O primeiro dia costuma ser o mais intenso – este ano percorreu 69 quilómetros para começar, desde a meia noite até ao final da tarde.

“Tenho muita preparação. Um mês antes começo a andar todos os dias, uma hora por dia. Porque sei que se fizer isso custa-me muito menos. Se fosse de um dia para o outro acho que não conseguia”, explica.

Para Maria de Fátima, se não fosse a ajuda dos que conhecem bem os caminhos e levam a

experiência às costas, não seria possível chegar ao destino.

Apesar de todo o sacrifício que a caminhada implica, ambas reconhecem que a experiência mudou muito nos últimos anos. Dizem que os caminhos são hoje melhor preparados e mais adequados à caminhada, e que o maior controlo do trânsito faz uma grande diferença.

Também a nível de infraestruturas houve uma grande melhoria, havendo agora um apoio muito maior aos peregrinos. “Por exemplo, agora temos um sítio onde tomar banho. Antes só tínhamos uma bacia com água”, conta Maria de Fátima.

 

Cada jornada é diferente

Maria de Fátima recorda-se de muitos momentos marcantes, que surgem das dificuldades e do espírito de entreajuda que se testemunha a cada passo. “Tu ralhas, tu brincas, tu choras… Tu fazes tudo. É uma experiência muito intensa”, explica.

“O que mais me tocou foi ver uma pessoa a fazer o caminho descalça”, conta, a propósito das diferentes promessas que as pessoas fazem. Também já viu uma pessoa “sem fala”, cumprindo a promessa de percorrer todo o caminho em silêncio. “É outra forma de sacrifício”, afirma.

Também Rosa Maria se lembra de muitos momentos marcantes ao longo dos anos: “nessas caminhadas houve momentos muito bons, de pessoas que iam com fé e com alegria no caminho. Mas também houve momentos menos bons, claro”.

Entre as memórias que guarda com afinco, está a história de uma senhora que estava grávida de poucos meses e só o revelou à chegada a Fátima, atribuindo a sua força ao novo bebé que estava para vir, ou a história de uma senhora que rezou por um neto e celebrou a concretização do pedido no caminho. “Cada pessoa tem uma história”, conclui.

Para ambas as caminhantes, as experiências variam tanto que cada história é uma história, e a única coisa que têm em comum é serem únicas e irrepetíveis.

 

À chegada, a emoção desmedida

Para Maria de Fátima, a emoção que se sente à chegada é não só inexplicável, mas também incomparável. “Nunca chorei como este ano. Uma rapariga disse-me «Eu hei-de chegar a Fátima, nem que vá pelos cabelos». E quando chegamos lá, ela abraçou-se a nós e disse que não sabia como agradecer a ajuda. No início do caminho nem a conhecia”, afirma.

“Entrando naquele recinto estou no paraíso. Sofremos muito pelo caminho, a gente reza, a gente canta, a gente chora, faz sacrifícios, tem bolhas e feridas. Mas ao chegar ao recinto tudo passa e é uma emoção que não tem explicação”, conta Rosa Maria. “Quando chegamos já ninguém está doente, ninguém sofre mais. Na Cruz Alta estamos ao lado de Nossa Senhora. No caminho já a levamos connosco, mas ali estamos com ela”.

“Cada pessoa tem a sua história, mas acho que se se perguntar a outra pessoa dirão mais ou menos a mesma coisa: é muito, muito emotivo. É um por todos e todos por um”, conclui Maria de Fátima.

Já para Rosa Maria não é possível encontrar racionalidade numa jornada que é tão espiritual. “É uma força interior que não há explicação. Fátima é Fátima, não há mesmo explicação”.

 


VOTSFP

Maio 10, 2018




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