Conjunto das Igrejas e Museu de São Francisco


A Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto (VOTSFP) possui e administra um importantíssimo património integrado, constituído pela Igreja Monumento do Antigo Convento de São Francisco, usualmente denominada como Igreja do Convento de São Francisco, repositório de numerosos estilos artísticos, pela Igreja dos Terceiros, de feição neoclássica, e pelo Museu de São Francisco, composto de um acervo de bens móveis integrados no espaço composto pela Casa do Despacho, pelas Catacumbas e pelos diversos espaços de exposição que têm vindo a ser organizados.

Os irmãos da VOTSF do Porto, cuja história se inicia na década de 30 do Século XVII foram, ao longo do tempo, mandando edificar estruturas necessárias para as suas funções e para apoio dos irmãos, especialmente os mais carenciados.

O empenho que os irmãos tiveram em dotar a sua Ordem de edifícios para as práticas religiosas, para as suas necessidades administrativas, para a sua ação de auxiliar aqueles que estavam doentes, dar sepultura a todos quantos que o pretendessem e, finalmente, dar educação escolar, resultou na construção de um conjunto de edifícios que compreendia uma capela, seguida de duas igrejas, de casas do despacho, de lugar de enterramentos dos irmãos falecidos e de um hospício, seguido, mais tarde, de um hospital e de uma escola.

 

A concretização destas estruturas foi conduzida pela Ordem de forma a associar-lhe os melhores artistas de cada época e, através deles, fazer dos seus edifícios uma referência da arte do Porto.

Os edifícios da Ordem (igreja, casa do despacho, cemitério, hospital e escola), aos quais se acrescentou em 1839, já depois da extinção das Ordens Religiosas, uma parte da portaria e a Igreja do Convento de São Francisco foram sofrendo diversas alterações ao longo dos séculos, constituindo hoje um conjunto integrado, localizado na baixa do Porto, com exceção do cemitério, que se encontra compreendido, ainda que de forma autónoma, tal como os de outras Ordens Terceiras, num dos maiores da cidade, o Cemitério de Agramonte.




Pode marcar visitas presencialmente,

através do email museu@ordemsaofrancisco.pt

ou ligando para o 222 062 125.


Igreja do Convento de São Francisco


A Igreja do Convento de São Francisco situada no coração da zona histórica da cidade do Porto foi classificada como monumento nacional em 1910 e património mundial pela Unesco em 1996.

A Igreja foi sendo sucessivamente enriquecida, a ponto de ser hoje considerada um dos mais ricos e belos repositórios de talha dourada de Portugal. O que mais surpreende é a riqueza barroca dos revestimentos a talha, trabalhados desde o século XVII a meados do século XVIII, a demonstrar o trabalho excecional dos entalhadores portuenses.

Uma das particularidades desta Igreja vem precisamente do singular contraste da ornamentação luxuriante das talhas com a austeridade da estrutura gótica.

Note-se que a Igreja de São Francisco foi inicialmente construída em estilo românico. No entanto, em 1833, no final do Cerco do Porto, um tiroteio miguelista causou um incêndio que destruiu o antigo claustro, uma parte da Igreja e o portal. Hoje em dia, o único elemento da fachada primitiva que ainda existe é a rosácea (símbolo da Rosa Fortunae).

Na Igreja, constituída por três naves e cinco tramos, vários retábulos representam o trabalho de diferentes mestres entalhadores de diferentes épocas.

À esquerda do pórtico de entrada, encontra-se a capela sepulcral de Luís Alvares de Sousa e uma das mais antigas pinturas murais conservadas do país, representando a Senhora da Rosa, atribuída a António de Florentim.

À direita do pórtico de entrada pode ver-se um nicho com a escultura de São Francisco, em granito policromo, do século XIII, cujo nicho ostenta as armas franciscanas. Desde aqui se pode constatar a diversidade das obras que podem ser observadas na Igreja.

No retábulo-mor, a Árvore de Jessé é o mais exuberante exemplo da temática no país.

A obra, adaptada de um trabalho já existente, foi realizada por Filipe da Silva e António Gomes no século XVIII e apresenta doze imagens dos reis de Judá, numa árvore que cresce a partir do corpo deitado de Jessé e culmina na Virgem e o Menino, precedida por S. José.

Em nichos de ambos os lados da Árvore, encontram-se as figuras de Santa Ana e São Joaquim, assim como de quatro doutores franciscanos que escreveram sobre a Imaculada.

No transepto, para além do Retábulo da capela-mor, podem ser vistos os Retábulos de S. Benedito, Santo António e São Francisco, do lado esquerdo, e os Retábulos de S. Boaventura, de Nossa Senhora das Candeias e a Capela dos Reis Magos.

Na Igreja pode também ver-se o Retábulo da Nossa Senhora do Socorro, de 1740, desenhado pelo arquiteto Francisco do Couto e Azevedo e executado por Manuel da Costa e Andrade, artistas responsáveis também pelo Retábulo de Nossa Senhora da Rosa.

Os retábulos dos Santos Mártires de Marrocos e da Anunciação de Nossa Senhora, executados por Manuel Pereira da Costa Noronha em 1750, e a Capela da Nossa Senhora da Soledade, obra de Francisco Pereira Campanhã executada em 1765, comprovam a mestria dos entalhadores portuenses do século XVIII.





Igreja dos Terceiros de S. Francisco


A atual Igreja, herdeira de dois espaços sacros anteriores, a Capela de Santa Isabel, cuja pertença à VOTSF do Porto datará de 25 de novembro de 1638, e a primeira Igreja da Rainha Santa Isabel, cuja construção decorreu entre 1677 e 1690, iniciou a sua construção no final do Século XVIII e representa o início de uma nova arquitetura classicista religiosa no Porto.

A imposição do classicismo deriva da tendência europeia à época, da atividade arquitetónica promovida pela Junta de Obras Públicas na cidade do Porto, e pela arquitetura neopalladiana que o Porto vê introduzir-se em algumas das suas mais emblemáticas obras, como seja o Hospital de Santo António, a já desaparecida Capela de Nossa Senhora do Ó e a Casa da Feitoria.

No entanto, essa tendência não foi suficiente para eliminar o tardo-barroco e o rococó, razão pela qual é notória a convivência das duas sensibilidades arquitetónicas na Igreja da Venerável Ordem de São Francisco do Porto.

A sua fachada é constituída por dois andares, o segundo dos quais rematado por um frontão.

A construção da Igreja da VOTSF do Porto iniciou-se em 1792, a partir da reconstrução da capela-mor da primeira Igreja da Rainha de Santa Isabel, e continuou, a partir de 1795, com a construção de um novo corpo, uma nova sacristia e uma nova capela de Santo António.

O primeiro é constituído por dois grandes pedestais onde assentam duplas colunas dóricas romanas, entre as quais foram colocadas duas estátuas, representando a Humildade e a Penitência. O segundo andar do frontispício é formado colunas jónicas, entre as quais se abrem três amplas janelas, sendo a central de maior vão. Na parte central veem-se as armas da Ordem encimadas pela coroa real. Um parapeito sustenta lateralmente as estátuas da Esperança e da Caridade. No centro está a estátua da Fé, assente num acrotério.

No interior, destaca-se o elevado arco triunfal, cujo remate ostenta uma importante composição armorizada; o coro e o órgão ali colocado; e a primorosa decoração de todo o interior da Igreja.





Pode marcar visitas presencialmente,

através do email museu@ordemsaofrancisco.pt

ou ligando para o 222 062 125.


Museu


O percurso museológico continua na Casa do Despacho, da autoria do arquiteto Nicolau Nasoni, onde se inclui a Sala do Tesouro, a Sala das Sessões e o respetivo Cemitério Catacumbal.

A Casa do Despacho, concluída em 1749, é pela qualidade da sua fachada e do seu interior um exemplar a realçar da arquitetura do Porto do século XVIII. Representa uma sensibilidade barroca, cuja origem se encontra nas obras de renovação da catedral a partir de 1717 e que ficou associada à cidade e ao Norte de Portugal.

Após um incêndio ter destruído o albergue para irmãos pobres e assistência de mulheres que se situava no local, a Mesa da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto decidiu iniciar a construção de uma Casa do Despacho. O edifício começou a ser reconstruído em 1747, tendo a nova planta sido desenhada por Nicolau Nasoni, arquiteto italiano responsável por grandes monumentos da cidade do Porto como a Torre dos Clérigos ou o Palácio do Freixo.

A Casa do Despacho tem planta retangular em dois pisos, e constitui hoje em dia um dos elementos mais destacados do Museu de São Francisco.

No primeiro piso encontra-se a Sala do Tesouro, que ostenta uma exposição permanente de obras relacionadas com a história da Venerável Ordem Terceira de São Francisco e com a própria história da cidade do Porto.

No segundo piso, pode visitar-se a Sala de Sessões, com um teto de planta octagonal composto por caixotões, pintado a branco e com incrustações de talha dourada. As paredes são decoradas por quadros de benfeitores da Instituição, um quadro representativo da morta de Santa Margarida de Cartona e um quadro da Virgem com o Menino.

Um dos elementos mais chamativos da Sala de Sessões é o retábulo de Cristo na Cruz, em talha dourada, atribuído a José Teixeira Guimarães.

Ainda no segundo piso, a Sala do Despacho revela um teto com dois óleos de brasões bipartidos, com as armas da Ordem e de D. José e D. Maria Ana Vitória, da autoria de José Martins Tinoco.

Inserido no conjunto igreja, casa do despacho e pátio de acesso, situa-se o cemitério catacumbal, de arquitetura singular, e que representa a fase final de todo um processo de criação de espaço de sepultura dos irmãos. Entre 1749 e 1866, todos os benfeitores da Ordem foram sepultados neste espaço.

A parte mais antiga do cemitério catacumbal possui um altar barroco e ornamentação em talha dourada, sendo o restante espaço marcado pelos jazigos laterais e pelo contraste entre o branco das paredes e o negro dos jazigos. Nas catacumbas pode também ser visto o ossário, onde estão expostos milhares de ossos de irmãos e benfeitores outrora sepultados nos jazigos.



O conteúdo dos textos constantes desta página foi obtido, nomeadamente, através da consulta e reprodução parcial da obra O Convento e a Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, da autoria de Natália Marinho Ferreira-Alves e Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves, Lúcia Rosas, Manuel Engrácia Antunes, António Mourato